TÓPICOS

Agroecologia; Alimentação saudável, corpo saudável

Agroecologia; Alimentação saudável, corpo saudável

Por Juan Yahdjian *

ALGO DA HISTÓRIA

Os humanos nasceram como coletores de alimentos, seguindo os animais e as espécies que nos precederam. Nosso corpo e seus mecanismos de absorção de alimentos, foram formados em milhões de anos. Desde o advento da agricultura, sua industrialização e os tratamentos, transformações e acréscimos, os alimentos mudaram substancialmente. Mudanças que não poderiam ocorrer em nossos corpos. Que tem capacidade para o fazer, mas os tempos não são os mesmos. Milhões são os anos que a natureza nos construiu e milhões de anos que precisamos para mudá-los.

Essas dificuldades de adaptação aos "novos alimentos" têm seu preço, o que muitas vezes é chamado de doença, que podemos definir como um sinal de desacordo em nosso corpo, quando lhe impomos alimentos inadequados.

PRELIMINARES:

A Agência Pan-Americana de Saúde (OPAS) aconselha, para nossos países, uma dieta baseada em de frutas e vegetais principalmente, além de grãos inteiros e leguminosas (grãos que vêm em vagens). Carne, proteína animal em geral, como complemento e levando em consideração fatores culturais, históricos etc.

A agricultura industrial introduziu o uso indiscriminado de vários produtos químicos. O mesmo, somado ao uso de maquinários, tem permitido a produção de alimentos em larga escala, mas com alto custo para a saúde do ecossistema e, portanto, do homem. A substituição do agricultor pela máquina produzida e continua a produzir, desenraizamento, pobreza e violência, entre tantos outros males. Além de retirar o contato e o relacionamento com a terra, das pessoas, retira o alimento da carga espiritual e energética que lhe dão.

A agricultura industrial nos afasta a todos da natureza, não permite que nos sintamos parte dela. Com as consequentes consequências negativas para os humanos.

A mãe natureza e a mãe terra, a pachamama, mostram-nos um modelo natural da biodiversidade, como toda a vida no planeta. Gaia é um ser vivo que inclui a Terra e todos os seus envoltórios atmosféricos, até o limite com o Universo. Sua autorregulação em temperatura, clima, umidade, teor de oxigênio e outros elementos da vida, foram harmonizados com os milhões de anos de existência, mas em pouco tempo, os humanos a colocaram em risco. Ele colocou o lucro acima da vida e do futuro.

Monocultura é sinônimo de pragas, deterioração do solo, uso de agroquímicos, muitos deles tóxicos, verdadeiros venenos, para todas as formas de vida. Nossas defesas naturais, nossa qualidade de vida se deteriora e a doença é o resultado. Quando perdemos saúde, perdemos liberdade.

A monocultura não é sustentável, ela desrespeita o natural, o harmonioso e hipoteca o futuro.

AS PRAGAS, CONSUMIDOR FINAL:

Os venenos que povoam o meio ambiente, ar, água, plantas, animais, são ingeridos por nós ou entram no sangue pela respiração ou pela pele. Somos os consumidores finais. Em todos os casos, por serem substâncias desconhecidas, estranhas e nocivas ao corpo, não circulam no sangue, não são metabolizadas nem eliminadas. Em seguida, eles se depositam nos tecidos, principalmente no tecido adiposo, do sistema nervoso central, cérebro, cerebelo, etc., por serem substâncias lipossolúveis. Pelo mesmo motivo, não existem doses toleráveis. O de hoje é adicionado ao de ontem e de amanhã. Enquanto fabricamos venenos, eles acabarão em nós. E quando morrermos, as chuvas levarão os venenos aos napas e eles voltarão aos consumidores finais.

Os danos à saúde são incalculáveis ​​e desconhecidos, pois não existem métodos de diagnóstico e menos ainda para eliminá-los. Doenças variadas, desde as nervosas, como alterações de comportamento, depressão, até as mais graves. Claro, aqueles que fumigam ou estão perto de fontes de venenos são os mais afetados.

E POR QUE AGROECOLOGIA?

Porque além de crescer sem venenos, é biodiversa, com pouco uso de maquinários, imitando bastante a natureza e respeitando o solo, o ar, a água e o meio ambiente em geral.

Não é um consumidor de energia e está perto de ser sustentável, reciclando umidade e fertilidade.

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL:

NÃO SOMENTE SATISFAZENDO A FOME, DEVEMOS AJUDAR AS DEFESAS, COM A CONTRIBUIÇÃO DAS VITAMINAS E MINERAIS NECESSÁRIOS.


Vita é vida e a vitamina é obtida de frutas e vegetais frescos. E melhor se forem vizinhos, se não forem movidos, se forem consumidos logo após a colheita. Assim, além de manter a vitalidade, são-nos familiares, pois se nutrem da água que bebemos, do solo em que caminhamos, do ar que respiramos e do sol que nos energiza.

Por isso, aqueles de nós que conhecem estes princípios, defendemos as Feiras Livres de Misiones. Saber que os assentados que comercializam os produtos receberam capacitação agroecológica.

A agroecologia como fonte de alimentos saudáveis, que preservam a saúde e previnem doenças. Alimentos que também funcionam como plantas para a saúde, é assim que as plantas medicinais se comportam, ajudando a manter a saúde, a infectá-la.

Muitas plantas selvagens têm dois objetivos principais: nos alimentar e curar. Por exemplo beldroega, língua de vaca, banana, dente de leão e muitos bitters etc. Os produtos agroecológicos são semelhantes.

O agricultor, quando respeita o solo, a água, o meio ambiente, respeita a si mesmo e está respeitando a todos nós. O alimento cultivado com amor, com atitudes positivas, transmite uma carga positiva para quem o consome. Alimenta o corpo e a alma, ajuda-nos a nos relacionarmos melhor com a natureza, uns com os outros, com a Criação.

OS LÍQUIDOS:

Sabemos que, após o desmame, os mamíferos, incluindo nós, humanos, não digerem o leite. O iogurte e o queijo têm uma digestão prévia e podemos assimilá-los. Mas, como toda proteína animal, pouco e nada nos favorece. Descrito, existem inúmeras doenças decorrentes do consumo desses alimentos. Eles nos dão gordura, e não do tipo bom.

Sempre nomeio a vaca, por exemplo. Ela consome apenas grama e produz proteínas, cálcio, ferro etc., em boas quantidades. Sendo mamíferos, temos um metabolismo semelhante, fabricamos proteínas, a partir de alimentos que não as contêm.

O consumo de refrigerantes tornou-se massivo. Pouco se fala e se publica sobre os preconceitos que produz. O modelo tem que funcionar, apesar da nossa saúde. Ou melhor, apesar da falta de saúde.

Acontece o mesmo com a água engarrafada, que para chegar à nossa mesa precisa de antibióticos ou algo parecido.

ÁGUA QUE VOCÊ NÃO BEBE, DEIXA CORRER

AGRICULTURA SUSTENTÁVEL:

Segue o princípio que fala do mandato que Deus nos dá, a natureza, de cuidarmos do patrimônio natural, de forma que sirva às gerações futuras. Cuidar do que recebemos de nossos pais-avós, para que filhos, netos etc. possam usar.

Os povos indígenas são um exemplo de sustentabilidade. Cada vez que trabalham o solo, usam a água, as plantas, etc., pensam em sete ou nove gerações. É também uma forma de ressurreição, de dar continuidade à vida, o que tem a ver precisamente com a sua definição: A vida como movimento, mudança, transformação. É responsabilidade da agroecologia, da agricultura sustentável, dar as contribuições necessárias, para que as transformações, as mudanças sejam feitas a favor e não contra a saúde, a vida e o futuro.

CULTURA, CULTURA:

A chamada revolução verde ou agricultura industrial mudou muitos hábitos alimentares e outros, influenciando e unificando as culturas dos povos. Se cultura e cultura têm a mesma raiz lingüística, devemos entender a influência de uma sobre a outra. Perdemos muitos elementos culturais, por imposição dos países dominantes, da mesma forma que perdemos as safras tradicionais e as trocamos por aquelas que os próprios países poderosos precisam. A soja e o pinheiro são bons exemplos. A Agroecologia tem ao seu dispor os instrumentos, para a recuperação das colheitas e da cultura que nos pertence. A devolução das safras é um elemento libertador.

* Juan Yahdjian, médico, membro do JUPIC (Justiça e Paz e Integração da Criação) do Espaço Ecumênico, da RAOM (Rede de Agricultura Orgânica de Missões), membro do MSM (Movimento Social Missionário) e do MOSIP (Movimento pela Solidariedade e Integração dos Povos)


Vídeo: - AGROECOLOGIA (Setembro 2021).