TÓPICOS

Democracia, Globalização e Desenvolvimento Sustentável

Democracia, Globalização e Desenvolvimento Sustentável

Por Leswin Domínguez

Atualmente fala-se de participação cidadã, do poder do povo, de quem manda, manda obedecendo, da participação das bases, na tomada de decisões, em síntese falamos de democracia.

A história dos países foi ligada em algum momento a uma certa forma de governo. O que dizer sobre o bloco comunista ou capitalismo americano.


Estamos em um momento de mudanças, de abertura de mercados, de privatizações, estamos dentro do processo de globalização em que a concorrência produz todos os dias a exclusão setorial humana e ambiental e onde o crescimento econômico tem se estabelecido cada vez mais, não sua distribuição.
Atualmente fala-se de participação cidadã, do poder do povo, de quem manda, manda obedecendo, da participação das bases, na tomada de decisões, em síntese falamos de democracia.
O paradoxo surge do exposto: como combinar a democracia e sua participação cidadã com a globalização e sua exclusão social.

É difícil conceber esta realidade, mas hoje onde estão os comentários frequentes de políticos e economistas: que aqueles que permanecem à margem da globalização continuarão atolados na pobreza, no analfabetismo e que, portanto, se quisermos sair do subdesenvolvimento, nós deve estar ciente da "aldeia global" e atender aos requisitos de confiança, competitividade e estabilidade que isso acarreta. Mas como atingiremos esses requisitos se ainda estamos em um estado incipiente de crescimento econômico (e ainda assim estamos entrando nos famosos acordos de livre comércio) e se nosso capital humano ainda não está preparado para suportar todas as pressões de intrusão cultural que pressupõe globalização (um exemplo claro disso, organizações de estilo cinematográfico de Hollywood), como podemos negociar importações e exportações em um acordo de livre comércio quando nosso aparato produtivo não é forte o suficiente? Talvez esta acção se justificasse se mais apoios estivessem a ser dados a este sector, mas a realidade é contrária a isto, em vez de apoiar o orçamento atribuído a este sector é retirado para equilibrar de alguma forma o crescente défice orçamental.


Se aos olhos de outros países existem requisitos de confiabilidade, estabilidade e competitividade para ingressar na globalização e nós não atendemos nem mesmo a confiabilidade, como eles nos verão então neste cenário em que só sobrevivem os mais fortes? Estamos sendo o rato de alguns gatos? Estamos colocando nossos recursos ainda mais nas mãos das potências mundiais? Ou a riqueza dos mais ricos um dia se espalhará e gerará nossa própria riqueza?

Por um lado a riqueza económica e, por outro, a exclusão social, num artigo encontrado na Internet é referido como a globalização é a causa de elevadas taxas de desemprego, devido à automatização, que traz consigo a procura contínua de aumento de eficiência e produtividade das empresas. Além do fato de que a concentração da riqueza em poucos também gera marginalização, porque a pobreza de muitos alimenta a riqueza de poucos.

Até agora só sei que a pobreza, a corrupção e o crime se globalizaram, mas porque ninguém se preocupa com a globalização da ética e da responsabilidade.
A democracia tradicional também se presta a aumentar a já longa lista de "males globalizados", por exemplo, que a democracia permite que uns poucos tomem decisões que afetam a muitos, ou que dentro desse sistema a oportunidade de eleger os mais populares e não os mais capazes de os candidatos (que dificilmente representam em seus planos de governo as verdadeiras necessidades e vontades do povo).

Na maioria dos países "a democracia é tão mal praticada que começa e termina com o sufrágio cidadão" e para piorar as coisas, ele vota por um plano de governo que nem foi chamado a conhecer e se o faz, ele o aceita porque parece o menos pior, não porque esteja cheio de soluções - e se estiver, elas estão apenas no papel-

Diante dos grandes desafios, grandes soluções, em primeiro lugar, é necessária uma profunda mudança na democracia, incentivando a participação cidadã e fazendo com que a população em geral interfira nos processos de desenvolvimento. “Que ela seja a protagonista de seu próprio desenvolvimento” (http://www.losocial.com.ar/pdf/46.pdf) É preciso também descentralizar o poder do Estado e deixar o poder de decisão para o municípios para manter seus próprios sistemas de educação e saúde.

É necessário aprovar mecanismos de participação popular, como o pleisbicito e o referendo, bem como o fortalecimento das rodadas agrícolas e dos diálogos nacionais.

A participação das pessoas será um incentivo para que possam cumprir o que elas mesmas propuseram e que supõem ser as necessidades mais urgentes a resolver.


Tudo isso no marco do desenvolvimento sustentável, ou seja, integrando crescimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental, conscientes de que as gerações futuras também precisarão utilizar os recursos que estamos utilizando e que muitas vezes o fazemos indiscriminadamente.

Finalmente, é necessário que o Estado tente por todos os meios apoiar instituições que promovam os valores culturais. Isso seria fundamental para iniciar uma mudança profunda em busca da identidade nacional, fator tão importante que determina o esforço de busca por um futuro melhor com mais e melhores oportunidades para todos.

* Estudante universitário da EARTH Costa Rica


Vídeo: Globalização: Organizações Internacionais (Setembro 2021).